Onde as circunstâncias da vida arranham a alma humana, deixando-a marcada, às vezes, quase que irreconhecível. Onde o conflito com o que lhe rodeia cria uma força que não parece natural. Onde há tão pouco para se ver e acreditar que resta apenas você mesmo. Onde a primeira vez é a última chance.
1980, Texas, deserto. Longe de quaisquer olhos, seja da lei ou de Deus, uma quadrilha de traficantes mexicanos é encontrada chacinada, acompanhados apenas de drogas e de uma Briefcase cheia de dinheiro. Um caçador da região encontra-os, e toma para si a maleta, se tornando então alvo de um sóciopata contratado para recuperar o dinheiro.
O enredo, porém, muito claramente é apenas um álibi para se explorar as personalidades que surgiram da ocasião; O caçador (Josh Brolin), disposto a desperdiçar toda a sua força para garantir para si a sorte recebida, é um homem de poucos sentimentos, seco pelo deserto, usado pelo ar pesado. Tão disposto está que não se intimida com a figura doente e estranhamente poderosa do sóciopata contratado (Javier Bardem). Deste sabemos pouco, o importante, contudo, é a impressão que se passa de que talvez aquele tenha sido mais um filho de adversidades apresentadas pela vida. O xerif do condado (Tommy Lee Jones) está já perto de se aposentar, e da vida tem estampado em seu rosto marcas da dificuldade; Sisudo, taciturno, sério.
A direção brilhante dos irmãos Coen transporta da tela para os ombros do público o soberano ar do deserto com presteza o suficiente para fazer do espectador um veterano criado e vivido no Texas.
Quanto a fotografia de Roger Deakins digo que não deixa a desejar, embora seu trabalho em "A Vila" (do diretor M. Night Shyamalan) tenha me parecido superior.
Onde os fracos não têm vez (No country for old man) foi vencedor do Oscar 2008 de melhor filme, e vale a pena ser prestigiado.
Próximas conversas;
Estamos bem mesmo sem você
Piaf - Um Hino Ao Amor
Persépolis
2 comentários:
Parabéns pelo novo blog!
Mais uma oportunidade de se deliciar na sua escrita!
E deu uma vontade de ver o filme depois de tão bela resenha. Amei!
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