
É porque é italiano, e de nenhum outro lugar poderia ter vindo um filme assim. Explicar-me é fácil, ora; De onde mais a crise de uma família poderia ser tão emocional e significativa do que em nostra Itália? A Itália, das massas e tarantelas, é também a Itália da família coesa, e talvez este seja o patrimônio mais sagrado desta península.
"Estamos bem mesmo sem você", ou "Anche libero va bene" no original, é italiano, e daí vem muito da sua beleza.
A volta de uma mãe que havia a algum tempo abandonado casa, marido e filhos atrás de emoções é o motivo do abalo da já leve estrutura da família Benetti. Renato Benetti, interpretado pelo também diretor Kim Rossi Stuart, é o pai e patriarca do lar, Italiano do vinho nos jantares e dos eventuais tapas na cara. Desiludido no casamento, com sérios problemas financeiros e com o peso de criar sozinho os filhos, seu comportamento emocional é extremamente instável.
Tommasso Benetti, vivido muito competentemente pelo jovem Alessandro Morace, é uma criança desgastada pela ausência da mãe e pelos extremos do pai, cujo único refúgio é o futebol, paixão incompreendida por Renato. Sua irmã Viola (Marta Nobili) parece responder de forma mais madura aos acontecimentos, talvez por ser a mais velha dos dois. Mas é quando Stefania (Barbora Bobulova), a mãe, volta que milhares de sentimentos misturados e desbotados emergem, sentimentos como desconfiança, amor e saudade. É exatamente na desconstrução deste que é um grande patrimônio italiano, a família, que o contexto se desenrola.
É uma boa filmagem, com imagens muito bonitas e um roteiro sem excessos. O filme vale a pena por não cair em um dramalhão desnecessário, pois leva a história com uma beleza envolvente, bonita.
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